E assim minha missão vai prosseguindo
Em cenas que os amigos zombeteiam
Ao ver que um igual vai espargindo
Gotinhas fraternais para os que incendeiam
Eu venho raras vezes à origem
Beber água que me mata a sede
Ouvir palavras sábias que corrigem
Deitar-me no silêncio de uma rede
Agora sinto que estou bem fornido
Dos alimentos que elevam a alma
Já me preparo para, enriquecido
Voltar à Terra conduzindo a palma
Um até breve é pronunciado
Sem as tristezas de longas partidas
Pois todos sabem que este enviado
Tornou-se velho para tais surtidas
E estão certos que a minha viagem
Será bem curta para um ser maduro
Que não foi vento antes leve aragem
Débil clarão num mundo ainda escuro
Retorno à Terra com suavidade
Numa fusão de corpo e pensamento
O corpo gasto pela longa idade
A mente clara como o firmamento
Meus olhos já um tanto desatentos
Abrem-se para as luzes do meu dia
Levanto e vou andando em passos lentos
À espera de uma nova freguesia
Espera sempre atenta e açodada
Para receber efêmero andante
Perdido numa nau abandonada
Em busca do Supremo Navegante
Ivan Reis Guimarães - Março de 2001
Belo poema!!! Muito bom o seu blog Sguima!!! Abraços. Beto
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